Na semana passada, voltando de uma reunião de trabalho no Rio de Janeiro, comprei o livro: "Jamie em Casa: Cozinhe para ter uma vida melhor" do Jamie Oliver (chef inglês - aquele da GNT) na livraria do aeroporto. Este foi um presente meu para mim mesmo (com dedicatória e tudo!), já que faço aniversário semana que vem, no dia 10. Apesar da vendedora ter se recusado a me dar os parabéns adiantado (porque disse que não é bom!) e de eu ter descoberto quando acessei a internet em livrarias virtuais que eu paguei R$ 20,00 a mais, estou gostando bastante do "bichinho".
O Jamie é um chef que admiro por vários fatores. Acho que o primeiro, e mais importante, é que a culinária dele é simples: os ingredientes são fáceis de encontrar, são frescos, e têm uma forte relação com o local - a comunidade, o campo, a região em que ele está cozinhando; além dele cozinhar em ambiente simples como a cozinha da própria casa, o jardim, uma feira ao ar livre, no meio do mato, na beira da praia e não ter aquelas "frescuras" de chef, como luvas de silicone, cozinha e instrumentos que mais parecem um consultório odontológico entre outras cositas...
O segundo fator, é que é uma comida colorida. Amo isso! A cor e o cheiro são "ingredientes" tão importantes quanto o sabor, afinal, também comemos com os olhos e com o nariz!
O terceiro fator é que ele tem a minha idade, 33, é casado e tem filhas. É verdade, eu somente tenho uma, a Justine, por enquanto... Este fator é quase um "não fator", mas não sei porquê, me identifiquei. Acho que pode ser o período da vida que passamos, um momento de reflexões, mudanças, guinadas e consolidações. Aqui a culinária aparece, para mim, como um importante fator motivador e relaxante.
Eu cresci "na barra da saia" da minha mãe e a acompanhei cozinhando nossas comidinhas. Ela fazia comidas simples, mas saborosas. Não era chegada a temperos. Nada de muito sal, pimenta, ervas (a não ser o ótimo louro no feijão e a salsinha do dia-a-dia). Mais tarde é que eu pude "descobrir" as maravilhas que um bom tempero faz!
Nunca havia cozinhado. Na minha adolescência nada mais que um brigadeiro de panela, uma vitamina de banana com maçã ou um ovo frito. Descobri que poderia fazer mais do que isso somente depois que casei. Por incrível que pareça, aprendi a cozinhar num período em que a maioria dos homens imagina que um dos requisitos importantes de uma esposa é que ela seja boa na cozinha.
No primeiro ano de casados, eu e minha esposa Hétel, fomos morar em Caçador, uma cidade de 70 mil habitantes cerca de 450km de Florianópolis, em Santa Catarina. Ela já trabalhava por lá e eu fui desempregado. Por seis preciosos meses me tornei "dono de casa". Lavava roupa, arrumava a casa (inclusive limpava banheiro às vezes, mas confesso que este era meu fraco), fazia compras e... cozinhava. Mas como? Eu não tinha a menor idéia de como faze-lo, pois minha "experiência" era de ficar no colo ou rodeando mamãe na cozinha. Foi assim...
A Hétel, na noite anterior ou logo cedo antes do trabalho me dava algumas dicas... O feijão, deixa de molho para não dar gases!... a carne, tempera com sal e um pouco de limão, o arroz vai colocando água quente aos poucos e cuide para não queimar. Estas coisas. Mas eu achava que ia ser um completo desastre. Não fui! Fui até mais ou menos. E não só na cozinha, mas até que arrumava a casa direitinho. Só uma vez (que confesso, uso esta ocasião até hoje quando quero lembrar minha esposa das suas injustiças comigo!), eu tinha arrumado toda a casa, passado aspirador no carpete, feito almoço, lavado roupas... A Hétel entrou em casa e foi direto para a mesa da sala e levantou a toalha (daquelas com desenhos e furinhos) e descobriu que eu havia esquecido de limpar os farelos do pão do café-da-manhã. Foi como se não tivesse valido nada aquele dia de dono de casa!!!
Enfim, a partir daí, já são quase 11 anos de casado e algumas aventuras na cozinha. Uma moqueca de frutos do mar prá cá, uma pizza com massa caseira prá lá. Um assado de legumes e verduras recheados com carne moída de um lado, um macarrão com molho italiano de outro. Nada demais, mas gostosos. E o melhor: uma terapia regada a um bom vinho, e o prazer de combinar os ingredientes visando descobrir bons resultados. Às vezes os resultados não são tão bons assim, mas o caminho, o percurso é que importa!
Enfim, agora o que me motiva é ter uma horta. Apesar de morarmos em apartamento, quero instalar uma do tipo suspensa, com vasos... Pelo menos para ter um manjericão fresco (para mim o melhor tempero), umas pimentas, salsinha, alecrim, etc... Sinto saudades da casa do pai com a horta que comecei durante a faculdade de agronomia em 1993 e que ele cultiva até hoje. Quem sabe uma casa daqui há uns anos. Enquanto isso, sigo cozinhando com os ingredientes que tenho. Talvez este seja o segredo, aproveitarmos a vida da melhor forma com aquilo que a vida nos dá!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
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Um comentário:
Que coisa mais linda! A Hetel eh uma mulher de sorte alem de ter este gato ao seu lado ele ainda eh um otimo pai e marido....Agora com mais esta qualidade...Ela ganhou na loteria...beijos te amo tia Selmi
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